O presidente da Fetrafi-MG, Carlindo Dias Abelha, participou, na manhã desta terça-feira (28/07), da mesa da Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal de Belo Horizonte
Foto: Tatiana Francisca/CMBH
O presidente da Fetrafi-MG, Carlindo Dias Abelha, participou, na manhã desta terça-feira (28/07), da mesa da Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, ao lado de dirigentes do Sindicato dos Bancários de BH e Região e de vereadores.
A reunião teve a finalidade de debater a restrição do atendimento bancário e a retirada de caixas eletrônicos promovidas pelo Banco Bradesco em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, tendo sido requerida pelo vereador Pedro Patrus (PT/MG). A condução da audiência foi feita inicialmente pela vereadora Jhulia Santos (Psol/MG) e seguida pela vereadora Luiza Dulci (PT/MG).
Também foram debatidos os impactos desse enxugamento sobre os consumidores, o acesso da população aos serviços bancários essenciais e a proteção de grupos em situação de maior vulnerabilidade.
Abelha mostrou, em números, as contradições do Bradesco que, apesar do porte gigantesco, em 12 meses fechou 346 agências, 1.053 postos de atendimento e 15 unidades de negócio. Neste mesmo período, extinguiu 3.017 postos de trabalho. “É incrível: mesmo fechando essa quantidade de agências e demitindo esse tanto de bancários, ainda teve 500 mil novos clientes. A gente imagina para quem sobra todo este trabalho acumulado”.
O presidente da Fetrafi-MG também destacou, na Audiência, que o Bradesco teve lucro de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre. Portanto, nada justifica essas atitudes administrativas que adoecem trabalhadoras e trabalhadores e penalizam, principalmente, os clientes de menor renda.
“Parabenizo a Câmara Municipal e o vereador Pedro Patrus pela iniciativa desta Audiência. A partir deste debate, devemos mobilizar a CUT, o Ministério Público e parlamentares para que a gente possa minimizar o caos em que estão se tornando as agências bancárias”, finalizou o presidente da Fetrafi-MG.
Além de Abelha, a Federação foi representada pela secretária de Organização do Ramo Financeiro, Carolina Gramiscelli; pela secretária de Saúde, Luciana Duarte; e pelos secretários de Imprensa, Helberth Ávilla Souza e Marselha Lisboa Malta.
A secretária de Organização do Ramo Financeiro da Fetrafi-MG, Carolina Gramiscelli, enfatizou a urgência de ampliar os direitos garantidos não apenas aos bancários, mas também a todos os demais trabalhadores do setor financeiro, que representam uma parcela essencial e crescente da força de trabalho do sistema financeiro nacional. Para ela, é fundamental que as conquistas históricas da categoria bancária sejam estendidas a esses profissionais, muitas vezes invisibilizados, que atuam em funções terceirizadas ou em fintechs, mas que compartilham das mesmas pressões, metas e jornadas exaustivas.
A secretária-geral do Seeb-BH, Mônica Brull, destacou também os prejuízos ao atendimento causados pelo fechamento de agências, sobretudo para a população periférica. Isso porque, segundo ela, a tendência dos bancos é concentrar suas unidades nos centros comerciais das capitais e nas cidades das regiões metropolitanas, deixando as periferias cada vez mais desassistidas.
O secretário de Imprensa da Fetrafi-MG, Helberth Ávila, que também é funcionário do Banco do Brasil, alertou ainda que a precarização do atendimento não se restringe as instituições privadas. “No BB, a precarização se dá pela redução de quadros, criando sobrecarga de trabalho e adoecimento entre os funcionários que precisam se desdobrar para dar conta do atendimento e cumprir metas cada vez mais inatingíveis. A alta cúpula do BB, recentemente, em um evento corporativo sinalizou que, para recompor os quadros, contratará 1000 estagiários. Isso é inaceitável e não vamos tolerar estagiários fazendo serviço de funcionários. O que resolve o problema da falta de pessoal no BB é concurso público e para isso seguiremos lutando, apesar da insensibilidade da gestão atual do BB”.