SINTRAF JF

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22 de julho de 2026

Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Zona da Mata e Sul de Minas. Defendendo os direitos e os interesses da categoria bancária.

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Em debate sobre o futuro do trabalho, SINTRAF JF defende mais mulheres nos espaços de decisão

Em debate sobre o futuro do trabalho, SINTRAF JF defende mais mulheres nos espaços de decisão

Seminário da Fetrafi-MG reuniu dirigentes sindicais para discutir as transformações do sistema financeiro e os desafios impostos pela tecnologia, pela precarização do trabalho e pelas desigualdades de gênero

As transformações provocadas pela digitalização, pela inteligência artificial e pelos novos modelos de gestão no sistema financeiro impõem desafios cada vez maiores para trabalhadores e trabalhadoras. Em meio a esse cenário, dirigentes sindicais bancários de Minas Gerais se reuniram, nesta quarta-feira (8), em Belo Horizonte, no seminário "O Sistema Financeiro em Transformação e os Desafios no Mundo do Trabalho", promovido pela Fetrafi-MG.

Mais do que acompanhar os debates, a presidenta do SINTRAF JF, Taiomara Neto de Paula, teve papel de destaque na programação ao assessorar a mesa "Mulheres na Liderança: Desafios e Conquistas", que colocou em pauta uma discussão cada vez mais urgente: quem ocupa os espaços de poder em um mundo do trabalho que muda rapidamente, mas ainda reproduz desigualdades históricas? A reflexão partiu de uma provocação central: se as mulheres representam metade da população e grande parte da força de trabalho, por que continuam sendo minoria nos cargos de decisão?

Durante sua apresentação, Taiomara defendeu que o debate sobre tecnologia não pode ser dissociado da luta por democracia e igualdade. Se a digitalização, a inteligência artificial e as reestruturações estão redefinindo a atividade bancária, também é preciso discutir quem participa das decisões sobre esse novo modelo de trabalho e quais vozes seguem excluídas desse processo.

"A liderança feminina não é apenas uma questão de representatividade. Ela fortalece a democracia, amplia a diversidade de perspectivas e produz organizações mais fortes e mais capazes de responder aos desafios do presente", foi uma das mensagens centrais apresentadas pela dirigente.

Ao reconstruir a trajetória das mulheres na conquista de direitos, ela lembrou que avanços como o acesso à educação, ao voto, ao mercado de trabalho e aos espaços de liderança foram frutos da mobilização coletiva. "Direitos são conquistas construídas por muitas mulheres ao longo da história e que precisam ser permanentemente defendidas", ressaltou.

Os números apresentados durante a mesa revelam que, apesar dos avanços, a igualdade ainda está distante da realidade. As mulheres têm maior escolaridade média, estão presentes em praticamente todas as profissões e sustentam milhões de famílias brasileiras. Mesmo assim, seguem enfrentando dupla e tripla jornada, menor acesso às promoções, assédio moral e sexual e baixa presença nos cargos de liderança.

No sistema financeiro, a desigualdade também aparece de forma objetiva. Dados do Dieese apresentados mostram que as bancárias recebem, em média, 80,9% da remuneração dos homens na mesma categoria. Entre as mulheres negras, a desigualdade é ainda mais profunda, refletindo a combinação entre racismo estrutural e desigualdade de gênero.

Para Taiomara, essas desigualdades também transformaram a agenda do movimento sindical. Se antes as campanhas eram centradas quase exclusivamente em salários e direitos trabalhistas, hoje incorporam temas como igualdade salarial, combate ao assédio, saúde mental, enfrentamento à violência doméstica, diversidade e condições dignas de trabalho. "As mulheres ampliaram o conteúdo da negociação sindical porque ampliaram o olhar sobre o mundo do trabalho", destacou.

Ao encerrar sua participação, Taiomara deixou uma mensagem que sintetiza o debate realizado durante o encontro: "O futuro do trabalho será tecnológico. Mas ele só fará sentido se também for democrático, diverso e comprometido com a igualdade. Defender a participação das mulheres na liderança é defender um futuro mais justo para toda a classe trabalhadora." A ideia dialoga com a conclusão de sua apresentação, que afirma que liderar é transformar e que mais diversidade e participação são condições para um futuro do trabalho verdadeiramente democrático.

A presidenta também ressaltou que a luta por igualdade de gênero é uma luta de toda a sociedade e que fortalece-la é papel de homens e mulheres. "Muito importante os homens entenderem que não se trata de uma disputa, ou uma rivalidade, mas sim da luta por direitos iguais. Inclusive, precisamos que eles nos ajudem nessa luta. A nossa desunião só reforça as crueldades do próprio sistema capitalista. Nós, mulheres, também precisamos estar mais unidas em torno dos nossos direitos, porque às vezes travamos disputas entre nós mesmas.", analisou a sindicalista.

O seminário reforçou a importância da formação política e sindical como instrumento para compreender as mudanças em curso e construir respostas coletivas frente aos desafios impostos pelo sistema financeiro.